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Divulgação ética na Psicologia: o que você pode (e não pode) fazer nas redes sociais

As redes sociais podem ser grandes aliadas na construção da sua carreira, desde que utilizadas dentro dos limites éticos da Psicologia.

Escrito por: Ana Clara Borochok

Divulgação ética na Psicologia: o que você pode (e não pode) fazer nas redes sociais

O digital exige responsabilidade


Divulgação profissional em Psicologia: transição para o digital


Antes da evolução tecnológica e da popularização das redes sociais, a divulgação do trabalho clínico era realizada por meio de anúncios em jornais, distribuição de cartões pela cidade e indicações — o conhecido “boca a boca”. Com a ascensão das redes sociais, esse cenário se transformou, consolidando um novo meio de divulgação e de construção de carreira, especialmente em 2026.


A produção de conteúdo e a presença digital tornaram-se estratégias importantes, sobretudo para psicólogos recém-formados. No entanto, tanto a criação de conteúdo quanto a divulgação profissional devem respeitar limites bem definidos, pautados pelos princípios éticos da profissão.


Neste post, serão apresentados os principais pontos para uma divulgação ética, bem como os cuidados necessários nesse processo. Destaca-se que o descumprimento das normativas pode resultar em sanções, como advertências e até a suspensão ou cassação do registro no Conselho Regional de Psicologia.




Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP)


Todo trabalho psicológico deve ser pautado no Código de Ética Profissional do Psicólogo, inclusive a presença e atuação em redes sociais.


Princípios fundamentais


Os princípios fundamentais do CEPP orientam a prática profissional de Psicologia a partir dos direitos humanos, à dignidade e à liberdade das pessoas. A atuação do psicólogo deve promover saúde, qualidade de vida e combater qualquer forma de violência, discriminação ou opressão. Além disso, exige-se uma postura crítica e socialmente responsável, com contínuo aprimoramento profissional e compromisso com o acesso da população à Psicologia.


É a partir dos princípios fundamentais que o profissional deve analisar criticamente sua prática e as possibilidades de atuação no contexto em que está inserido.


Divulgação de serviços


O Código de Ética Profissional do Psicólogo é bastante direto quanto à divulgação profissional. De acordo com o Art. 20º, alínea "a", o psicólogo deve sempre informar seu nome completo, o CRP e o número de registro, não sendo permitida a omissão de sobrenomes.


De acordo com a alínea "b", o profissional deve informar apenas qualificações que realmente possua, fazendo referência exclusivamente a títulos e formações devidamente comprovados. Ainda, a divulgação deve restringir-se a técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela Psicologia.


É proibido utilizar o preço do serviço como propaganda, conforme a alínea "d" do Art. 20º. Assim como, a divulgação de promoções ou uso de cupons.


Ainda, a previsão taxativa de resultados, a realização de promessas e divulgação sensacionalista das atividades profissionais não são permitidas.


Por fim, o psicólogo deve evitar qualquer tipo de autopromoção em detrimento de outros profissionais, bem como não propor atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias.


Sigilo Profissional


Nas redes sociais, o cuidado com o sigilo profissional deve ser redobrado. É proibida a divulgação de nomes, instituições ou qualquer informação que possa identificar pessoas atendidas (Art. 9º).




Nota Técnica CFP nº 1/2022


Em 2022 o Conselho Federal de Psicologia publicou a Nota Técnica sobre Uso Profissional das Redes Sociais: Publicidade e Cuidados Éticos, instruindo as divulgações profissionais nos canais de comunicação.


Perfil pessoal x perfil profissional


O CFP não proíbe o uso de um único perfil nas redes sociais. No entanto, é fundamental ter clareza para evitar confusões entre conteúdos pessoais e profissionais. Por isso, é importante refletir sobre os limites entre esses espaços e as implicações dessa exposição.


Logomarcas e identidade visual


Não há impedimentos quanto à criação e divulgação de uma identidade visual ou logomarca para a sua atuação profissional. No entanto, ela deve estar sempre vinculada ao seu nome completo, ao CRP e ao número de inscrição.


Depoimentos e fotos


Não é permitido realizar propaganda de serviços psicológicos por meio de depoimentos de pessoas atendidas ou pela utilização de imagens. Mesmo com consentimento por escrito, essa prática não é adequada e fere princípios éticos da profissão.




Conclusão


O fazer da Psicologia deve ser sempre orientado pelo Código de Ética Profissional. A divulgação nas redes sociais, embora cada vez mais necessária, exige cuidado, responsabilidade e compromisso com os princípios da profissão.


Mesmo com as orientações do Conselho Federal de Psicologia, nem todas as situações são totalmente delimitadas, o que demanda do profissional uma postura crítica e reflexiva diante do que será publicado. Mais do que seguir regras, é fundamental questionar: essa publicação respeita a ética, preserva o outro e representa adequadamente a Psicologia?

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